Grave problema nacional, a alta ocorrência de acidentes de trabalho é uma triste realidade na construção civil, setor essencial da economia brasileira. Cartilha produzida pela engenharia busca contribuir para transformar esse quadro, levando orientação e informação de qualidade aos canteiros de obras.
A construção civil é um dos pilares do desenvolvimento nacional. Gera empregos, viabiliza infraestrutura, transforma cidades e impacta diretamente a qualidade de vida da população. No entanto, carrega também uma realidade que não pode ser naturalizada: trata-se de um dos setores com maior incidência de acidentes de trabalho no País. Conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, só no ano passado o setor concentrou 1.390 casos.
É urgente mudar essa realidade, e foi com esse compromisso que o Seesp, sindicato filiado à FNE, lançou a “Cartilha da Engenharia – Segurança em Canteiro de Obras”, que conta com apoio do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP).
Destinada a engenheiros, mestres de obras e gestores, a publicação abrange, em 61 páginas, um compilado de dados fundamentais que incluem síntese da segurança e saúde no trabalho, normas, base legal, fiscalização e responsabilidade profissional, civil e penal.
A publicação traz ainda informações sobre o piso da categoria, Código de Ética conforme o Sistema Confea/Creas, o papel dos conselhos profissionais e a atuação dos sindicatos. Questão importante é o esforço de levar aos profissionais orientação para que não sejam penalizados por desconhecimento de suas obrigações, a exemplo da emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).
Mais do que um documento técnico, o material contribui para fortalecer a cultura de prevenção, elemento indispensável para reduzir riscos e preservar vidas. Segurança no trabalho não se resume ao cumprimento formal de regras. Ela exige conhecimento, conscientização, responsabilidade técnica, compromisso ético e condições adequadas de trabalho. É uma construção coletiva que envolve o conjunto dos trabalhadores, empresas, entidades representativas e o poder público.
Nesse sentido, a parceria entre o Seesp e o Sintracon-SP expressa a compreensão de que proteger a vida depende da convergência entre todos os envolvidos no trabalho. Essa articulação é fundamental para avançar não apenas na redução de acidentes, mas também na promoção de relações de trabalho mais justas e qualificadas.
Além disso, é preciso ampliar o olhar sobre saúde no trabalho, incorporando os impactos físicos e mentais decorrentes de ambientes inseguros e pressões excessivas.
Levar esse material aos canteiros é mais do que difundir informação. É afirmar, na prática, um princípio que deve orientar toda a atividade: segurança é pressuposto da boa engenharia e dever de todos.
Vamos juntos atuar para que o trabalho seja meio de vida, não de sofrimento e morte.

