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Cresce Brasil

As negociações para a adoção do padrão brasileiro de TV digital avançam em todo o continente, um ano depois de ter sido inaugurada em São Paulo. A Argentina, segundo maior mercado da América do Sul, acaba de assinar protocolo técnico em que se chega a um entendimento sobre as características da tecnologia e um acordo de cooperação deve ser anunciado já no início de 2009.

O Peru decidirá ainda este mês o padrão local e, assim como o Paraguai, está inclinado à tecnologia japonesa que foi adaptada no Brasil. O governo brasileiro conversa também, com chance de sucesso, com Chile e Venezuela.

O protocolo de cooperação técnica com a Argentina foi fechado no último dia 28. A próxima etapa será a formalização de um acordo pelos ministros das Comunicações do Brasil, Hélio Costa, e do Planejamento do país vizinho, Julio De Vido. Este é o passo mais importante para que a Argentina adote o sistema brasileiro de TV Digital, com tecnologia japonesa. Para a escolha ser ratificada, a presidente Cristina Kirchner assinará, então, um decreto.

- O Brasil está pronto para assinar, agora depende da Argentina. Fechamos tecnicamente - disse uma alta fonte do governo brasileiro.

Os termos do protocolo técnico com a Argentina prevêem um único sistema para os dois países e um intercâmbio permanente de informações técnicas avançadas e a utilização de equipamentos e plantas científicas. Haverá formação de cientistas e outros pesquisadores.

Missão apresentará padrão ao Peru esta semana

O acordo deverá ainda prever a montagem de joint-ventures para a produção de bens eletroeletrônicos. Segundo um técnico, este "é um desejo" forte entre os dois países e deverá ser desenvolvido no âmbito do Mercosul. O mercado é muito grande, porque o Brasil tem 52 milhões de lares com TV aberta e a Argentina, cerca de 13 milhões - números atrativos a qualquer fabricante.

No caso do Peru, foram apresentados ao presidente Alan García quatro opções de padrão: o japonês com inovações brasileiras (ISDB), o americano (ATSC), o europeu (DVB) e o chinês (DMB-T). Fontes do governo brasileiro informam que a sinalização é a de que o Brasil será contemplado. Para garantir o resultado, nos dias 11 e 12 uma comissão brasileira - formada por Itamaraty e Ministério das Comunicações - apresentará o ISDB às autoridades locais.

O Chile também já demonstrou interesse pelo sistema nipo-brasileiro de TV digital. Em abril deste ano, os embaixadores do Brasil e do Japão estiveram naquele país e encaminharam algumas propostas. O governo chileno quer garantir a transferência de tecnologia. O mercado potencial mínimo do Chile é de 1,5 milhão de TVs a serem trocadas. Segundo fonte do setor, as negociações estariam paralisadas por causa da crise econômica.

Em relação ao Paraguai, dizem fontes da iniciativa privada que acompanham as negociações, há "quase certeza que vai seguir o padrão do Brasil". A Venezuela, segundo um técnico, apresenta-se também como ótima oportunidade de mercado, já que descarta totalmente a opção americana. Entre a tecnologia européia e a brasileira, a segunda levaria vantagem.

Outra frente é o Equador. Representantes do país participaram, em outubro, de debate sobre política da TV digital para a América do Sul, em Brasília.

No Brasil, com um ano do início das transmissões, sete capitais (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre e Salvador) e Campinas já contam com a TV digital. A previsão é que, até o fim de 2009, todas as capitais brasileiras e o Distrito Federal tenham TV digital funcionando.

(Mônica Tavares, O Globo, 7 de dezembro)

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