Em palestra durante o VII Conse (Congresso Nacional dos Engenheiros), nesta sexta-feira (25), o vice-presidente da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e secretário municipal do Trabalho do Estado de São Paulo, Marcos Cintra, afirmou que os efeitos da crise internacional foram muito mais drásticos nos países ricos. “Foi um lapso momentâneo, como um desmaio. A crise veio apenas para mostrar como as nossas instituições estão fortes e preparadas para tornar o Brasil numa nação evoluída.”
Conforme Cintra, a economia brasileira está numa situação estável como conseqüência das contas externas estarem em ordem, as reservas internacionais adequadas e a inflação sob controle. Isso permitiu que a recuperação acontecesse num período relativamente curto. Além disso, o Governo vem atuando de modo compensatório investindo em áreas com potencial de geração de empregos, desonerando alguns setores e aumentando o crédito pelos bancos públicos. Um exemplo disso, foi a redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) que ajudou os setores automobilístico, da construção civil e dos eletrodomésticos que já vem registrando um nível de produção próximo aos níveis anteriores aos da crise financeira mundial.
O secretário enfatizou também que o Brasil hoje é tido como “a bola da vez”, por conta do seu enorme potencial de crescimento, mercado interno em expansão e estabilidade econômica.
No último bloco da palestra, Cintra falou sobre o “Imposto único”, projeto de sua autoria, que prevê a eliminação de vários impostos por apenas um que seria cobrado sobre as operações realizadas nas contas correntes nos bancos. “O projeto combate a sonegação, simplifica a estrutura, gera redução de custos públicos e privado e ameniza a carga tributária individual sobre os atuais contribuintes.”
Para que o público tivesse uma idéia do impacto da eliminação dos impostos indiretos, Cintra citou alguns exemplos mostrando o peso deles no preço final de alguns produtos. No arroz, os tributos chegam a 31,4%, no café supera 36% e na cerveja 56%. Com o novo imposto, o primeiro ficaria em 16%, o segundo 16,60% e a bebida cairia para 17%. “É preciso pressionar os políticos para que aprovem o Imposto Único. Somente a união organizada dos contribuintes será eficaz para termos um sistema mais justo e eficiente.”
O secretário fez um apelo a FNE e ao SEESP (Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo) no sentido de pressionar a votação do projeto na Câmara dos Deputados. Ao final da palestra, o engenheiro José Manoel Teixeira, diretor do SEESP, informou que as entidades marcaram uma audiência com o presidente da Câmara, Michel Temer para discutir o Imposto único.
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Autor: Beatriz Arruda