“Há um consenso entre os engenheiros de corte desenvolvimentista que os próximos cinco anos serão muito virtuosos para o Brasil.” Assim o professor da UFF (Universidade Federal Fluminense e consultor do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” para a área de ciência e tecnologia, Marco Aurélio Cabral Pinto, iniciou sua palestra no VII Conse nesta sexta-feira (25). Compondo a mesa que discutiu “Indústria, educação, ciência, tecnologia e inovação”, ele indicou cinco eixos de projetos que vão garantir à Nação prosperidade por cinco anos, com taxas de crescimento acima de 5%: o pré-sal, o agronegócio, “que vai avançar com empregos de maior intensidade tecnológica”, vencer o desafio da industrialização, grandes iniciativas de construção civil e infraestrutura logística no Brasil.
Tendo como norte esses pilares e a missão de contribuir à atualização do projeto “Cresce Brasil” - lançado pela FNE em 2006 -, o professor destacou uma das ideias que comporão o novo documento, na área de C&T: em que medida envolver a sociedade civil organizada como instrumento de sustentabilidade desse ciclo de desenvolvimento. Para ele, não será possível garantir essa continuidade sem que haja tal mobilização.
Pré-sal e Amazônia
Dar conta desses dois grandes desafios nacionais, como observou Cabral Pinto, demanda desde o desenvolvimento tecnológico e de novas cadeias produtivas até assegurar a formação de mão de obra para contribuir nesse processo. Na Amazônia, em especial, afirmou o palestrante, é necessário induzir economia inovadora de base florestal, vencer a questão fundiária, conquistar o território, prover educação e conhecimento à comunidade local. No caso do pré-sal, fez um alerta: coloca-se como o Eldorado do imaginário popular, mas “petróleo move a geopolítica global e é preciso agir com astúcia, além de distribuir seus recursos”. Para explorar essa riqueza, conforme sua fala, a ideia do Governo é montar um complexo petrolífero nacional, com algo em torno de 200 embarcações. O que vai requerer ao Brasil formar, num curto espaço de tempo, “200 mil engenheiros e técnicos”. O professor concluiu: “Vamos aproveitar os dois desafios como projetos mobilizadores de recursos à C&T de forma planejada. Isso pode ser melhor cumprido se combinado com a criação em escala de pequenas empresas de base tecnológica.”
Newton José Leme Duarte, diretor-geral da Siemens, enfatizou em sua exposição o papel da indústria nesse processo, a qual, através da engenharia, terá que lidar com desafios como a urbanização acelerada, as alterações climáticas e a mudança demográfica que se verificam em todo o mundo, bem como sua inserção em um cenário globalizado. Ele destacou que a companhia em que atua tem procurado focar suas ações em três blocos para responder a essas demandas: as áreas industrial, energética e de eletromedicina. Ademais, o diretor apontou a importância de as indústrias promoverem a inovação e de se fortalecer a parceria universidade-empresa à pesquisa e desenvolvimento, uma das bandeiras levantadas pelo projeto capitaneado pela FNE.
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Autor: Alexandre Coronato