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Cresce Brasil

Ministro de Estado, secretários nacionais, estaduais e municipais, parlamentares, prefeitos, desembargadores da Justiça e procuradores do Ministério Público do Trabalho abrilhantaram a solenidade de posse da diretoria da FNE, à qual foi reconduzido à Presidência Murilo Celso de Campos Pinheiro. A cerimônia ocorreu no dia 28 de março na Assembleia Legislativa de São Paulo e reuniu cerca de 1.800 pessoas. Prestigiaram o evento, ainda, entre outras personalidades, presidentes dos Conselhos Federal e Regionais de Engenharia e Agronomia (Confea/Creas), diretores da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) e de federações por ela representadas, do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de sindicatos de engenheiros de todo o País, de associações, centrais sindicais, entre outras organizações. No ensejo, foi lançado o projeto “Engenharia Unida”, convocando a ação coesa da categoria no enfrentamento dos desafios atuais.

A gestão 2016-2019 iniciou-se oficialmente em 16 do mesmo mês. A diretoria encabeçada por Pinheiro compôs chapa única eleita por ampla maioria no dia 7 de outubro de 2015, ao final do XI Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse), em Campo Grande (MS). Participaram do pleito representantes dos 18 sindicatos de engenheiros do País que compõem a federação.

Na posse solene, Pinheiro saudou os sindicalistas e autoridades presentes, dedicando agradecimento especial aos que o acompanham ou passarão agora a acompanhá-lo na empreitada junto à FNE. “Sinto-me imensamente privilegiado em estar, mais uma vez, fazendo um discurso de posse como presidente da Federação Nacional dos Engenheiros. Sinto-me também responsável em contribuir com as discussões e ser exemplo do que estamos buscando com o trabalho sério e comprometido com os engenheiros e a sociedade em geral”, frisou. Assim, enfatizou: “Diante do cenário social, político e econômico que o Brasil atravessa e considerando os reflexos da crise internacional, é obrigatório que tenhamos em mente a necessidade de resgatar o País de uma paralisia que o sufoca, ameaça seriamente as possibilidades de avanço e agrava as condições de vida da população brasileira, que hoje já vem sofrendo, principalmente com o desemprego. Temos como grande desafio manter a categoria dos engenheiros unida, forte, qualificada e empenhada em trabalhar para superar tais crises. E a FNE vem cumprindo seu papel de debater e elaborar propostas para colaborar com a retomada do desenvolvimento.”

Projeto nacional

Explicitando a atuação da federação nesse sentido, Pinheiro ressaltou: “Temos defendido a implantação de uma política industrial efetiva, que nos traga ganhos de produtividade, um essencial desafio a ser vencido no Brasil, apontando a necessidade de alterações na macroeconomia que favoreçam a produção e o avanço tecnológico em vez do rentismo. É preciso também que haja investimentos na infraestrutura impulsionados pelo Estado. Essas propostas, que são factíveis, integram um movimento constante de valorização profissional, de destacar os engenheiros como protagonistas do desenvolvimento.”

Afirmou ainda a premência de se formar cada vez mais massa crítica para fomentar as discussões e participar na construção de um projeto para o País – a FNE apresenta à sociedade o “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que completa agora dez anos e foca em 2016 o tema “Cidades”. Pinheiro foi categórico: “É preciso questionar o que está errado e aplaudir o que tem sido feito de bom. É assim que estamos conduzindo essa entidade que levanta as bandeiras da defesa dos direitos adquiridos pelos trabalhadores, do reconhecimento dos engenheiros, do empenho pela remuneração justa, plano de carreira nas empresas, qualificação de excelência. Queremos continuar defendendo o Brasil e seus cidadãos, apoiando a investigação, o devido processo legal e a punição daqueles que agem contrariamente aos propósitos nacionais. Porém, é preciso muito cuidado para que as grandes instituições e empresas que há décadas impulsionam o crescimento e desenvolvimento não sejam desmanteladas, causando prejuízos aos trabalhadores e à sociedade.”

Coordenador técnico do projeto “Cresce Brasil”, Carlos Monte atestou: “A engenharia, mais do que nunca, tem que estar unida. Temos que juntar todo mundo para encontrar soluções aos problemas enfrentados. Uma das coisas mais importantes é conseguir que os diferentes órgãos do governo aceitem a ideia da leniência, com as empresas, por sua vez, se comprometendo com uma mudança de hábitos em relação aos serviços públicos.” Na sua ótica, cabe aos profissionais da categoria assumirem seu papel de salvaguarda do conhecimento técnico e científico que “faz com que a engenharia seja o motor do desenvolvimento nacional”.

Reconhecimento

Presidindo a sessão, o deputado estadual Campos Machado (PTB) homenageou Pinheiro por sua atuação à frente da FNE e salientou: “Nas mãos dos engenheiros e engenheiras está o futuro deste País.” Na sua concepção, a engenharia unida encontrará o caminho para a retomada do crescimento e desenvolvimento nacional. Também expressando seu reconhecimento à categoria, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) destacou: “O que o Brasil mais precisa é de infraestrutura. Sem isso, não tem como chegar a Primeiro Mundo, e temos muito a caminhar. A FNE é exemplo da busca por união nacional para construir o País que sonhamos e queremos.”

Ministro das Cidades, Gilberto Kassab fez uma saudação “a todos os engenheiros, na pessoa do presidente Murilo. Nossa presença neste ato é um reconhecimento ao seu talento, desprendimento, vocação e espírito público”. E afirmou: “Contamos sempre com nossa engenharia, uma das melhores do mundo. Tenho certeza que muito vão contribuir ao desenvolvimento das cidades, Estado e País.” Indicando a crise que atinge fortemente o setor da construção civil, com dados alarmantes, o deputado estadual por São Paulo Ramalho da Construção (PSDB) seguiu também nessa direção: “Vamos dar as mãos para reinventar o Brasil que merecemos. Para girar a roda do desenvolvimento, contamos com vocês, engenheiros!” Também parlamentar paulista, Itamar Borges (PMDB) concluiu: “A engenharia unida é o que precisamos. Tem papel fundamental para somar forças e recolocar o País nos trilhos.”

Outro que prestou homenagens e reconhecimento aos profissionais da área foi o secretário estadual da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim, ele próprio engenheiro. A categoria, como disse, assiste “com inquietude a crise ética, econômica e política por que passa o Brasil. Mas o engenheiro, profissional da construção, quer olhar não pelo retrovisor, mas o farol ligado à frente. Com o ‘Cresce Brasil’ e agora a ‘Engenharia Unida’, a FNE aposta na busca pela mobilização e unidade para se construir um projeto nacional”. E continuou: “Num momento em que o País fala tanto em disputa e está fragmentado, a federação fala em construir pontes.” Na mesma direção, Dario Rais Lopes, secretário nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana, vaticinou: “Só com consenso de classe vamos conseguir fazer com que a engenharia seja protagonista dos processos. Quando os governos deixam de praticar a boa engenharia, pulando partes importantes, como projeto e licenciamento, isso abre espaço para duas coisas: perda de qualidade e práticas não republicanas. É fundamental que nós, engenheiros, entendamos desse processo, e a partir daí possamos elencar propostas que construam, efetivamente, mais que um país decente  e civilizado, um Brasil mais justo.”

Também homenageou a diretoria empossada o presidente do Confea, José Tadeu da Silva: “O conselho representa 1,250 milhão de profissionais e 350 mil empresas. Em nome deles, saúdo vocês. E vamos virar essa página, com engenharia, mais crescimento e mais desenvolvimento, como prega o ‘nosso’ projeto (referindo-se ao ‘Cresce Brasil’).” Trazendo mensagem do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seu vice, Márcio França, relatou as obras e investimentos que vêm sendo feitos no estado e reconheceu: “O engenheiro é o profissional do desenvolvimento. Temos a esperança e expectativa que vocês vão ajudar o País a voltar a crescer com inovação e dignidade.”

Para Jurandir Fernandes, ex-secretário estadual dos Transportes de São Paulo e vice-presidente honorário para a América Latina da União Internacional de Transporte Público (UITP Latin America), “não é o momento de ficarmos parados esperando que a crise, um dia, acabe. Temos de partir para duas ações: uma reflexão interna e ações propositivas, daí a engenharia unida”.

Programa de trabalho

Manter a mobilização nacional em prol do desenvolvimento sustentável – que culminou no projeto “Cresce Brasil” em 2006 – integra o plano de ação da diretoria empossada. O entendimento é de que é urgente apresentar saídas para que se retome o crescimento, diante das crises política e econômica por que passa o País neste momento. Na certeza de que a federação tem trilhado caminho acertado ao aliar a demanda nacional à luta sindical, a gestão 2016-2019, além do chamado à engenharia unida, já inicia seus trabalhos inaugurando os debates relativos à etapa atual do projeto “Cresce Brasil”. O resultado será apresentado em julho próximo para discussão com a sociedade e os candidatos nas eleições municipais em todo o território nacional.

Na defesa dos representados pela FNE, em iniciativas integradas com os sindicatos a ela filiados, a nova diretoria seguirá a batalha pelo cumprimento da Lei 4.950-A/66, que estabelece o piso profissional da categoria. Além disso, fortalecerá a luta pela implementação da carreira de Estado para engenheiros e arquitetos nos três níveis de governo, com aprovação de projeto de lei no Congresso Nacional. Pauta essencial não só pelo reconhecimento e valorização profissional, essa visa também dotar as administrações públicas de corpo técnico capacitado para garantir desenvolvimento e qualidade de vida à população. A educação continuada é outra bandeira que a nova gestão levará adiante, o que inclui o apoio ao Isitec como importante iniciativa.

 

Soraya Misleh

Com colaboração de Rosângela Ribeiro Gil, Deborah Moreira e Lourdes Silva

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